7.11.08

6.11.08

.+ Deleuze +.




A perda ou o esquecimento não são determinações que devem ser superadas; ao contrário, elas se referem à natureza objetiva da lembrança, ou seja, daquilo que, uma vez perdido, recuperamos do coração do esquecimento.
DELEUZE, Gilles. Difference and repetition. Trad. P. Patton. Londres: Continuun Press, 1994. p. 102.

5.11.08

.-.-.garrafa.-.-.bottle.-.-.

A palavra garrafa não vem do latim, mas do árabe ghurruf, ou talvez do persa qarabah.
A palavra bottle, que se incorporou ao inglês através do fancês antigo boteille, vem do latim medieval butticula, diminitivo de buttis, que significa barril.

Google it!

O google apresenta cerca de dois milhões, oitocentos e noventa mil registros que contêm a expressão in the bottle. Além daqueles mais óbvios - uma mensagem, um gênio, um diabrete, um navio em miniatura, água, tequila, vodca e toda sorte de bebidas - as garrafas no google também abrigam conteúdos inusitados: um homem, uma mulher, um gato, garotos, vermes, suplementos vitamínicos, o Guinness Book, cigarros, ervas medicinais, o Napster, nuvens, um filhote de dragão, luz, um tornado, um romance chinês, o tempo, ovos, drogas, planetas, um buraco, a beleza, a lua, o fantasma de Santo Agostinho.

4.11.08

Diálogo













"Speak-er", por Sherwood Forlee.

The memory is in the bottle

Segundo Deleuze, não se deve pensar a passagem do tempo como uma série real que opera de um presente a outro, ou seja, como uma linha que parte do momento atual para alcançar um presente anteriormente dado, que assume o papel de origem ou término, dependendo de que se caminhe em direção ao passado ou ao futuro, e que atua, por esse motivo, como um ponto de atração. Deleuze propõe que se pense a passagem do tempo como implicada em uma coexistência virtual da percepção e da memória, bem como das diferentes séries de presentes que se formam em função de cada uma delas.
A referência é: DELEUZE, Gilles. Difference and repetition. Trad. P. Patton. Londres: Continuun Press, 1994. p. 104-105.

3.11.08

Meat Water ... in the bottle...




Isto é incrível!

To have Meatballs requires neither meat nor balls. It is an attitude. It says that we will live our lives without fear and we will live those lives to the fullest. Would you rather have itsy bitsy Swedish balls, perfect sized Italian or large, snappy, steamy German ones? - it’s up to you - but you're sippin', Babe.

Message in a Bottle

Sending Messages Into Outer Space Has Changed Since Voyager's Day.

"
The Voyagers carried 12-inch, gold-plated copper phonograph records containing 115 images and a wealth of sounds: snippets of the natural world, songs (including an Indian raga, a Navajo chant, Bach, Mozart and "Johnny B. Goode"), spoken greetings in 55 languages, and printed messages from President Carter and (oops) U.N. Secretary General Kurt Waldheim. The record came with a cartridge and phonograph needle, and its cover includes visual instructions about how to make a record player."

Agradecimento especial à Luciana pela mensagem, genial!

2.11.08

Mil e uma noites

És como Sherazade:
Se não contares uma história fascinante,
Morrerás pela manhã.

30.10.08

Salão principal do Hotel - Memória?


Berlin, Potsdamer Platz.

Memória - Kunsthaus Tachelles



Quantas camadas possíveis?

Berlin, Oranienburger Strasse, 54-56

www.tacheles.de

29.10.08

Do tempo

Duas postagens quase simultâneas... Não é fantástico, Funes? Chego a pensar se não te dividiste em dois, como se diante do espelho deleuzeano. Ou, quem sabe, o que é bem mais provável, em três.

Contemporâneo? Pós-Moderno? Que raios é essa condição nossa...?


"O fechamento da representação, que repercute na crítica do sujeito, e de tudo que decorre daí, é o tema recorrente do trabalho moderno. No entanto, aquilo que as designações pós-moderno e contemporâneo recobrem ainda implicam a reativação dos dispositivos e referências modernas, não, contudo, a sua restauração. Então, nesta situação, em que o funcionamento dos elementos constitutivos da modernidade cultural - o indivíduo, o mercado, a tecnociência - foram radicalizados, hiperconcentrados, como é possível produzir dissonâncias, resistências, intervenções, ao estado das coisas? Pois "a cena contemporânea" é sintomática: paradoxalmente, combina a supressão de limites com a demanda por normas, a funcionalidade exacerbada e comportamentos mágicos, a diversidade e a busca por identidades. Isto ainda configura uma "derradeira possibilidade, senão de uma representação, pelo menos de uma dramaturgia simbólica" .
Finalmente. O que se está tentando configurar aqui, é uma espécie de "investigação", algo em curso, sugerido como uma abertura a outras posições, enunciadas nesta enunciação claudicante. Rigorosamente falando, aqui não se determina um conhecimento; ao contrário, decepciona-se exigência de conhecimento. Aqui comparecem restos de um esforço de conhecimento. Mas estes restos são motivados e mobilizados por necessidades e paixões; por isso surgem como acontecimento. Avançamos por tentativas, empurrados por um encadeamento aberto, em que o já pensado volta como impensado, sob o estímulo de alguma singularidade que se manifesta fortuitamente. Pois os pensamentos, diz Lyotard, são nuvens."

FAVARETTO, C. F. . 'Entre o Moderno e o Contemporâneo.' Tempo & Memória, São Paulo, v. 4, p. 49-66, 2005.

Palestra pra lá de afetuosa, no sentido deleuzeano...
A quem interessar, vale ler o texto completo, disponível em:

http://cursos.unisanta.br/artes/artigos/beatriz/artbeatriz6.htm

O fabricante de si mesmo

É melhor sermos claros desde o início: quem hoje lhes fala é um homem, um de vocês. Sou diferente de vocês, seres vivos, apenas em um ponto: tenho uma memória melhor que a de vocês. Vocês esquecem quase tudo. Eu sei, há quem sustente que nada de fato se cancela, que todo conhecimento, cada sensação, cada folha de cada árvore entre tantas que foram vistas desde a infância jazem em vocês e podem ser evocadas em situações excepcionais, em seguida a um trauma, a uma doença mental, talvez até em sonho. Mas que lembranças são essas que não obedecem ao seu chamado? Para que servem?
Esse é o início de um conto chamado O fabricante de si mesmo, de Primo Levi, que reproduz o diário de um homem que, assim como Funes, não se esquece de nada ou, pelo menos, que sempre é capaz de se lembrar daquilo que deseja. A tradução é de Maurício Santana Dias e, assim como o texto do Pirandello, Os aposentados da memória, faz parte da coleção de contos publicada pela Companhia das Letras.

28.10.08

Maravilha-te, memória!

De Fernando Pessoa:
Maravilha-te, memória
Lembras o que nunca foi
E a perda daquela história
Mais que uma perda me dói
Meus contos de fadas meus
Rasgaram-lhe a última folha
Meus cansaços são ateus
Dos deuses da minha escolha
Mas tu, memória, condizes
Com o que nunca existiu
Torna-me aos dias felizes
E deixa chorar quem riu

27.10.08

THE T-SHIRT ISSUE


Berlin-based Mashallah Design & Linda Kostowski have created items of clothing by scanning human bodies and using the data to create sewing patterns. The human form is turned into 3D patterns of polygons, which are then turned into 2D files and used to laser cut fabric. The project was on show at Create Berlin during the London Design Festival earlier this month.

Para saber mais sobre o processo de produção dessa roupa: http://www.yatzer.com/1271_the_t-shirt_issue

Aliás, o www.yatzer.com é um dos melhores blogs de design contemporâneo que encontrei nos últimos tempos.